Economia Feminista
- Rodrigo Carrijo

- 19 de set. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 2 de nov. de 2022
Por que tratar desse tema? Por que levar as questões de gênero para o mundo dos negócios?
Entendemos que é impossível pensar em um contexto de desenvolvimento econômico sem antes tocarmos em pontos sensíveis da nossa sociedade. A desigualdade (seja ela de classe, raça ou gênero) dita, ainda que inconscientemente, a forma com que fazemos negócios e como o mundo ao nosso redor é moldado.
Entendemos que, se quisermos construir um mundo melhor para nós e para as gerações futuras, é necessário enfrentar urgentemente essa triste realidade que corrói todos os campos do nosso convívio social.
Vamos falar de estereótipos. Imagine uma reunião de negócios. Agora, imagine um lar repleto de afazeres domésticos em um dia comum. Quem está presente na reunião de negócios? Quem seria responsável pelas tarefas do lar? Qual o gênero das pessoas que vêm a sua mente quando falamos sobre figuras de destaque no mundo empresarial? Qual o gênero que estamos condicionados a imaginar realizando afazeres domésticos?

A Economia Feminista questiona a predominância e o privilégio na cultura ocidental moderna de características e atitudes tradicionalmente atribuídas aos homens em detrimento de aspectos tidos como femininos. A divisão do trabalho e a inserção da mulher no mercado de trabalho também são temas centrais dessa discussão.
Na história recente, muitos esforços foram feitos e conquistas foram alcançadas na luta contra a discriminação de gênero. Porém, ainda existe um longo caminho adiante. Em relatório lançado em 2021 pelo Fórum Econômico Mundial, foi estimado que se levaria cerca de 135.6 anos para fechar a lacuna de gênero global.
O trabalho doméstico continua sendo relegado às mulheres, a paridade salarial ainda não foi alcançada em grande parte dos países e muitos postos de trabalho ainda são ocupados, majoritariamente, por homens.
Isso representa, além de um atraso social, um atraso econômico. Basta olharmos para o relatório do Banco Mundial, “Unrealized Potential: The High Cost of Inequality in Earnings”, de 2018. De acordo com o documento, o capital humano acumulado por mulheres poderia aumentar, à época, de US$ 283.6 trilhões para US$ 453.2 trilhões em um cenário de paridade de gênero. Isso representa uma perda potencial em riqueza global de US$ 160.2 trilhões (56%).
A emancipação feminina significa um avanço para a emancipação da sociedade como um todo. Países que vivem maiores níveis de subordinação feminina criam estruturas crônicas de opressão. Desse modo, a forma como tratamos as meninas e mulheres é, na realidade, peça fundamental para um propósito maior: o desenvolvimento social e político das sociedades.
Encontramos evidências disso no livro “The First Political Order: How Sex Shapes Governance and National Security Worldwide”. Nele, um ranking mensura como a cada nível maior de subordinação feminina no âmbito doméstico, crescem as chances de o país apresentar fragilidades democráticas e econômicas.
Para trazer um olhar mais detalhado sobre todas essas questões de gênero no Brasil e no mundo, as boas práticas e as políticas públicas que vêm sendo aplicadas para corrigir esse cenário desigual, a R10 Consultoria realizou um vasto estudo sobre a Economia Feminista.
Os resultados obtidos nesse estudo de posicionamento, você confere na nossa série de e-books “Uma Questão de Gênero”. Serão cinco capítulos produzidos para que você, leitor, fique por dentro do tema e descubra como contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária.
Confira:













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